O CRESCIMENTO DAS RELAÇÕES VIRTUAIS

O presente artigo foi escrito atendendo a solicitação de uma amiga que ganhei recentemente. Aceitei o desafio de fazer uma pequena síntese acerca dos relacionamentos virtuais dentro da minha experiência nesses ambientes, porém, faz-se necessário contar um pouco a respeito do que são os relacionamentos virtuais.
Essa prática começou a se propagar nos anos 90 com o advento da Internet. No entanto, é importante dizer que a comunicação através do computador teve seu início na década de 70. Vivemos na Era da Informação e devido a este fato, hoje temos uma nova noção de tempo e espaço. A Internet viabilizou a interação em tempo real de regiões geograficamente distantes, sem necessidade de deslocamento.
A solidão e a busca por relacionamentos amorosos foi o grande motivador do aparecimento dos chats, msn e o orkut (o maior e mais importante site de relacionamentos). Para muitas pessoas, a Internet é um modelo de comunicação que modifica, de certa forma, o modo de viver do ser humano. Ela possibilita a mudança no círculo social do homem através de sites específicos de namoro, amizade e afinidades.

O costume de passar horas conversando por intermédio do computador pode ser explicado pela sensação de conforto trazida pelo ambiente onde apenas se encontra amigos ou pessoas com quem se compartilha afinidades.

Discutir relacionamentos virtuais hoje é um dos principais assuntos tanto na sociologia como na psicologia. Apenas para fundamentar uma opinião contrária quanto aos relacionamentos virtuais, citamos o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, segundo ele: “A Internet retrata as desastrosas conseqüências sociais de uma modernização que privilegia, segundo ele, apenas uma minoria”. Para exemplificar vamos escrever com suas próprias palavras um trecho do seu livro Amor líquido:
“Diferentemente dos relacionamentos reais, é fácil entrar e sair dos relacionamentos virtuais. Em comparação com a coisa autêntica, pesada, lenta e confusa, eles parecem inteligentes e limpos, fáceis de usar, compreender, manusear (...) Sempre se pode apertar a tecla deletar.” (Bauman, 2003/2004, p.13).

Olhando por outro viés, a psicóloga Ivelise Fortim de Campos, se coloca favorável em sua coluna eletrônica:
“A Internet, na verdade, não passa de um veiculo de comunicação – sem as pessoas para operá-las, elas jamais conseguiriam fazer algo sozinho. Dessa forma, não é de se esperar que as mesmas pessoas que compõem um mundo real são as que estão atrás das maquinas? Não é de se esperar que tragam consigo, para a Net, os mesmos comportamentos dos quais são pontualmente capazes em suas vidas presenciais?”


RELATO DE EXPERIÊNCIA

Minha trajetória no Orkut teve início em 2005 e meus interesses, a princípio, estavam focados em encontrar com maior facilidade meus amigos de trabalho e faculdade, pois descobri nele uma ferramenta muito eficaz para deixar recados, conversar com pessoas que às vezes não é possível no dia-a-dia devido a correria e ao stress causado nos ambientes citados. Quando comecei a mexer e a me familiarizar mais com o ambiente, passei a buscar pessoas que não via há muito tempo, aquelas que vamos perdendo contato devido às circunstâncias impostas pela própria vida. O próximo passo foi buscar minhas áreas de interesse e começar a participar de comunidades e as discussões que aconteciam. Encontrei coisas bacanas e coisas não muito bacanas, leva-se algum tempo até descobrir quais as comunidades são realmente sérias e confiáveis, isto é, pessoas verdadeiras discutindo assuntos de relevância para você. Com o tempo, por mais membros que uma comunidade possua, sempre existe um grande número de pessoas que apenas entram nas comunidades, e um número bem menor que participa ativamente, discutindo, debatendo, levantando polêmicas, ou seja, aquelas que são realmente participativas. Muitas comunidades são riquíssimas, com pessoas que argumentam e fundamentam com maestria seus conhecimentos, opiniões. Existem muitas divergências, mas existe muito o respeito pela opinião alheia quando as questões levantadas pedem uma verdadeira reflexão. De 2005 até 2007 criei 3 comunidades dentro das minhas áreas de interesse e, como dona das comunidades precisava estar sempre atenta a tudo o que acontecia, pois sempre coloquei como premissa básica, o respeito entre todos os membros. Enquanto isso, o meu perfil recebia cada vez mais gente, até que descobri que eu não tinha tempo suficiente para cuidar de comunidades com assuntos tão polêmicos e pessoas muito bem informadas e outras muito mal intencionadas. Passei as comunidades para o comando de alguns moderadores, deletei meu perfil e criei um novo, enxugando mesmo, até ter ali, apenas conhecidos reais. Até então, nunca havia entrado ou pensado na possibilidade de entrar em comunidades de relacionamentos ou pessoas, pois isso implicaria em criar laços que muitas vezes são complicados de administrar.

No final de 2008 comecei minha incursão pelas comunidades com a intenção de me divertir e conhecer pessoas para outros tipos de relacionamentos. Conheci várias comunidades. Confesso que fiquei com um pouco de receio no início, pois não imaginava como elas funcionavam. Eu não sabia como deveria me comportar, aliado a esse fator, existia também a descrença de que algo sério pudesse acontecer nesse meio. Será que valeria a pena investir tempo e confiança? E se rolar só sacanagem? É exatamente isso que passa na cabeça da maioria das pessoas que não conhecem esses ambientes. Você tem uma visão estereotipada do que elas podem proporcionar. Bem, depois de conhecer cada uma delas, conversar com pessoas que delas fazem parte, saí de quase todas, permanecendo apenas nas que achei mais interessantes, mas participo efetivamente apenas de uma. Fiz uma descoberta surpreendente. Já havia questionado a teoria de Bauman sobre as relações que se escoam feito água pelo ralo, pois acho que a pessoa que tecla com uma outra já se mostra e se expõe de uma maneira ou de outra. Os perfis de ambas existem e o contato é permanente. Concordo com a postura da psicóloga citada acima, quando ela diz que levamos para o teclado e o monitor a mesma postura que adotamos em nossas relações presenciais.


COMUNIDADE MADUROS E INTELIGENTES – M&I

Atualmente freqüento uma comunidade chamada “Maduros e Inteligentes – M&I” e a grande descoberta que fiz reside no potencial que as pessoas existentes ali possuem para desenvolver relacionamentos sérios de amizade, carinho, respeito... muitas vezes ultrapassando os limites impostos pela distância geográfica. Com muitos integrantes acaba-se formando uma teia de relações praticamente familiares. Existe um forte compromisso com a ética e os valores morais de cada um. Não existe discriminação racial, religiosa ou qualquer outra. As pessoas se aceitam.

Minha segunda descoberta, posso aprender na prática tudo o que se discute em comunidades de sociologia, política, saúde, humanidades em geral. E essa é a grande revelação, nessas comunidades você lida com anseios, medos, neuras de pessoas comuns que buscam no outro o que é essencial a vida de qualquer pessoa, emoções e sentimentos como carinho, amizade, compreensão, aceitação, amor. Tudo o que um livro de sociologia e política não é capaz de dar a ninguém.

Descobri na M&I as lacunas de uma família, no caso, a minha, que está fragmentada. As emoções que rondam a comunidade são tantas entre pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais que acabei fazendo dela o meu “canto de alegria, tranqüilidade, amor, amizade, carinho”. Poderia dissertar longamente sobre a comunidade, porém, quero ainda colocar aqui, as palavras da principal dona da “Família M&I”.


ENTREVISTA DE PATRÍCIA – DONA DA COMUNIDADE

BM: Pat (apelido carinhosamente com que é tratada, Patrícia), como nasceu a M&I e quanto tempo ela tem de vida?

P: Eu participava de várias comunidades de relacionamento com o único objetivo de me divertir e fazer amizades. Porém, todas as comunidades que participava eram cheias de amarras e panelinhas que não me permitia brincar de forma livre por receio de desagradar alguém e isso virar uma guerra, pois qualquer deslize poderia gerar desconforto diante de pessoas tão belicosas. Desejei encontrar uma comunidade onde as pessoas fossem amorosas e respeitassem o próximo e suas opiniões, assim decidi criar a M&I e convidar os amigos que havia feito em minhas participações em outras comunidades.

BM: Quais são os fatores que você acha fundamentais para manter a comunidade em ordem e harmonia?

P: Respeito, essa é máxima da M&I. As diferenças existem e devem ser respeitadas nos agradando ou não.

BM: A que ou a quem você atribuí o sucesso da comunidade?

P: Considero uma comunidade de sucesso aquela que apresenta participantes constantes de forma agradável, divertida e respeitosa, creio que fomos, além disso, com apenas um ano criamos vínculos de amizades verdadeiras gerando encontros “reais” o que só solidifica essas amizades. Portanto, a amizade, o respeito e o carinho entre os membros é o sucesso da comunidade.

BM: O ponto forte da comunidade.

P: Essa foi uma das coisas que sempre procurei identificar na M&I, o que faz com que as pessoas se sintam bem e permaneçam na comunidade e por um período de tempo grande? Percebi que todos comentavam a forma amistosa e carinhosa que eram recebidos na comunidade e esse era nosso diferencial. Entretanto, isso também é cíclico e atualmente percebo que os vínculos reais entre os participantes geram esse amor e fidelidade, as amizades estão indo além dos tópicos, seguem para MSN, telefone e muitas vezes para o físico.

BM: O que é considerado grave dentro da comunidade? E como esses casos são tratados?

P: Desrespeito. Entendo que ofensas, intrigas, expressões de baixo calão se enquadram na falta de respeito, qualquer membro que tenha uma postura ofensiva com outro é solicitada a retratação pública e caso não o faça será punido com expulsão e em situações graves e reincidentes a pessoa nem é convidada a retratação, é imediatamente banido da comunidade.

BM: Como você consegue manter a ordem em um lugar onde o que mais importa são as relações humanas?

P: Todas as atitudes tomadas na M&I são discutidas e votadas entre os moderadores, seja a decisão de expulsão ou a escolha de uma capa, portanto, eu não faço isso sozinha, a M&I tem um grupo de moderadores que estão sempre presentes e alertas aos acontecimentos e ponderando sempre sobre a melhor decisão tomada, procurando agir sempre com respeito e justiça. A M&I é uma comunidade que oferece muita liberdade a seus membros. Por exemplo: Em muitas comunidades não se pode fazer postagens nos tópicos que sejam diferentes do objetivo do enunciado, na M&I todos fazem e creio que isso só torna a brincadeira mais divertida, para muitos isso é desordem, não gosto de usar a palavra ordem quando refere-se a M&I o que importa é que haja respeito e o resto está valendo. Assim sendo, onde há relações humanas com respeito, há harmonia e “ordem” e como disse na questão anterior, a pessoa que falta com respeito é seriamente chamada atenção ou banida da comunidade.

BM: Tem algum caso pitoresco ou interessante do qual você gostaria de falar? Ou algo que você acha importante ser dito e faltou aqui.

Numa comunidade de relacionamento circulam muitas pessoas, muitos entram na comunidade, postam por um período, e logo vão embora e outros ficam, percebe-se claramente que acontece uma seleção natural de afinidades, observe que as pessoas que estão há tempos na comunidade se afinam bem e assim o grupo de pessoas afins vai crescendo cada vez mais.


BIBLIOGRAFIA

BAUMAN, ZIGMUNT. Amor líquido. Rio de Janeiro : Jorge Zahar, 2004.
http://br.geocities.com/relvirtuais2006.%20acesso%20em%2002/03/2009 às 14h

PROBLEMAS NO BLOG

Pessoal, me desculpem pelas falhas que têm ocorrido com os links. Não estou conseguindo resolver os problemas no Rapid Share, para onde os textos são armazenados, mas estou tentando dar um jeito. enquanto isso não acontece, vou postando o que tenho aqui, pois também são textos de bastante importância.
Acredito que dentro em pouco, tudo estará funcionando normalmente.

Maga

AS BIBLIOTECAS PÚBLICAS NA CONTEMPORANEIDADE

RESUMO
O presente trabalho busca traçar a trajetória das bibliotecas no Brasil, bem como, explanar o desenvolvimento dos trabalhos necessários para a organização de uma biblioteca pública, levando em conta o público alvo, espaço-físico, a aquisição de obras bibliográficas, o uso da tecnologia e os funcionários envolvidos para seu pleno funcionamento no mundo contemporâneo. É importante destacar também o papel da biblioteca no desenvolvimento do saber e disseminação da informação.
INTRODUÇÃO

A comunicação sempre foi parte fundamental para a sobrevivência do homem. Primeiramente, a comunicação não-verbal, ou seja, através da gestualidade, grunhidos e, posteriormente, com o uso de desenhos (arte rupestre). Não podemos deixar de fazer referência ao desenvolvimento das mãos e das habilidades que estas dão ao homem – único ser que possui um aparato tão completo, requintado e complexo, capaz de mobilizar diversas áreas do cérebro para o uso das funções mais complicadas – e o do seu significado no processo da comunicação.

Com o desenvolvimento de aparato tão útil, aliado a inteligência humana, surgem as primeiras tentativas verdadeiras de comunicação entre os indivíduos. Segundo Arruda (s.d.), progressivamente, os homens começaram a fazer uso de objetos – pedras, varetas, cordas, gravuras, riscos, sendo que este último deu origem ao processo pictográfico – representação de maior ou menor interesse ornamental e valor estético, de objetos e acontecimentos e, consequentemente, a escrita, que é a representação de elementos lingüísticos.

Procuramos durante a exposição do trabalho, demonstrar a importância da Biblioteca Pública e seu papel de grande importância na contemporaneidade devido ao processo da globalização, quando todas as culturas se entrecruzam fornecendo materiais que até dez anos atrás demorariam meses para chegar às mãos de um pesquisador.



1 A BIBLIOTECA PÚBLICA E SUAS FUNÇÕES

Com as considerações feitas na introdução deste, podemos dar continuidade e afirmar que é justamente nesse sentido que nasce a necessidade da organização de documentos e, paralelamente, a biblioteca torna-se algo extremamente relevante. É importante citar que além de organizar os documentos, preservando a memória coletiva das experiências existenciais, culturais e científicas, a biblioteca será a responsável pela disseminação dessas informações. Essa transformação acontece durante a Idade Moderna e, essa transformação provocou consequentemente, o volume de documentos de forma vertiginosa, proporcionando o acesso dos mesmos ao homem comum.
Com essa transformação, mudou também o espaço físico e as instalações das bibliotecas. O que antes era guardado em armários com portas, deu espaço a prateleiras abertas, onde as pessoas pudessem caminhar livremente.
Historicamente, podemos citar como uma soma de acontecimentos, tais como: a Revolução Industrial, a Revolução Francesa e, também, o processo de urbanização entre os séculos XVIII e XIX para o surgimento das primeiras bibliotecas
Segundo Manguel (apud ARRUDA, s.d.), com a imprensa, observou-se que: “de repente, pela primeira vez, desde a invenção da escrita, era possível produzir material de leitura rapidamente e em grandes quantidades...”.
Ainda, segundo Arruda (s.d.), devemos considerar a Revolução Industrial como a grande responsável por essa transformação devido à necessidade de mão-de-obra especializada, a fim de possibilitar o manuseio das máquinas, sendo que para isso, era necessário o domínio da leitura.
O amadurecimento da Inglaterra após a Revolução foi o grande responsável pelo surgimento das bibliotecas públicas. Esse amadurecimento trouxe as condições econômicas, políticas e culturais para essa mudança de comportamento.
Segundo Serrai (apud ARRUDA)[1],

“não se pode deixar de destacar a Revolução Francesa como sendo, também, responsável pela criação da biblioteca pública, devido não só ao fato de que através dela a Instrução Elementar tornou-se obrigatória e gratuita, como direito de cada cidadão, através do lema de Igualdade, Fraternidade e liberdade”.

No início, as distinções entre bibliotecas públicas e arquivos não existiam e a instituição desempenhava as duas funções. Porém, com o passar dos anos, sentiu-se a necessidade de separar as duas coisas, passando os documentos a serem responsabilidade de centros de documentação, enquanto as bibliotecas passaram a ser geridas por grupos especializados.
Segundo ARRUDA (s.d.), as primeiras bibliotecas que surgiram apresentavam um caráter particular, satisfazendo as necessidades de seu dono. A partir do momento em que esses acervos foram abertos ao público, não houve uma superação das expectativas criadas, visto que não existiam materiais que interessassem a qualquer indivíduo, ou seja, elas representavam o interesse de uma minoria. Este problema perdurou desde o período clássico até o período medieval, com uma única diferença: elas assumem o papel de um organismo privado.
Durante a Antiguidade, muito embora fosse defendido o uso das bibliotecas por todos, a privatização continuava em vigor, porém, de forma camuflada. As principais bibliotecas foram transformadas em verdadeiros labirintos, para passar a idéia de que não queriam ser vistas. É importante deixar claro que durante todos esses períodos as bibliotecas eram fechadas às mulheres, crianças, escravos e iletrados.



2 AS QUATRO FUNÇÕES BÁSICAS

A história passa a sofrer uma mudança na Idade Moderna, quando as bibliotecas sentiram a necessidade de mudar sua estrutura, como também sua natureza. Isso graças aos materiais que passaram a ser publicados em série e não mais pelo processo caligráfico.
Uma biblioteca pública precisa preencher quatro requisitos para ser aceita como tal: ela precisa ser educativa, cultural, recreativa e informacional. Essa biblioteca é diferente da biblioteca escolar, onde o seu uso é voltado para o aprendizado dirigido, enquanto a outra tem a função de beneficiar a sociedade através da prática da leitura, sem ganhos de grande abrangência, mas para estimular o uso dos livros.
Geralmente, por falta de verba, o acervo dessas bibliotecas é composto por doações de obras de pessoas que já não se interessam pelos livros que possuem em casa ou pela morte de seu dono.

“a biblioteca pública, desde seus primórdios até os dias atuais, constitui-se em uma instituição educativa por excelência. Todavia, não deve oferecer seus serviços apenas aos públicos real e potencial, bem como voltar-se unicamente à educação formal – entendida como sendo a pesquisa escolar”. (ARAÚJO, 1985 apud ARRUDA)[2]

2.1 A PRIMEIRA FUNÇÃO BÁSICA - EDUCATIVA

Apesar do caráter da biblioteca pública citado acima, ainda segundo ARAUJO (1985), partindo desse pressuposto, pode-se dizer que a biblioteca pública não pode se preocupar apenas com o cliente estudantil, mas também com o público não-formal.
No entanto, para que isto seja possível é necessário haver uma mudança na postura dos profissionais bibliotecários, bem como do público alfabetizado, neo-alfabetizado e não-alfabetizado. Tudo isso pode ser considerado como barreiras para o desenvolvimento da biblioteca pública, pois os próprios profissionais desconhecem a expansão dessa função, excluindo, dessa forma, a classe marginalizada. Essa postura deve-se a formação que os bibliotecários recebem durante sua formação que está completamente voltada para trabalharem como agentes de informação técnico-científica apenas para professores, pesquisadores, especialistas e alunos.
Dentre as quatro funções básicas de uma biblioteca, é possível verificar que a primeira delas é cumprida, no entanto, no que tange às outras três atividades existem falhas que devem ser analisadas e levadas à luz da reflexão dos profissionais da área.

2.2 SEGUNDA FUNÇÃO BÁSICA - CULTURAL

A segunda função básica da biblioteca pública – a cultural - é muito pouco, pois desenvolvida com o caráter erudito, implicando em uma indisponibilidade para o público geral. Sabemos, no entanto, que todo cidadão tem o direito de conhecer todo e qualquer tipo de manifestação artística, oferecendo aos indivíduos a oportunidade

“de contato, participação, apreciação das artes, proporcionando ambiente agradável, estimulando e agindo, tanto quanto possível, como contra-peso à cultura comercialmente orientada de nossos dias”. (ANDRADE E MAGALHÃES, 1979 apud ARRUDA, s.d.)[3]

Isso quer dizer que o público, por menos especializada que seja tem direito ao acesso à cultura, estimulando assim, através das artes, o senso crítico, o melhoramento intelectual e consequentemente, o desenvolvimento de um melhor discernimento entre a arte como representação de uma determinada época como a arte como um sub-produto que favorece a massificação cultural. Por mais que os profissionais se afastem dessa atividade, elas ainda continuam fazendo parte das funções de um bibliotecário.

2.3 TERCEIRA FUNÇÃO BÁSICA - RECREATIVA

Entende-se como terceira função básica da biblioteca pública, aquilo que chamamos de recreação, ou seja, uma biblioteca voltada para o público infantil, que busca principalmente uma forma de aprendizado de maneira lúdica buscando um equilíbrio psíquico, além de desenvolver o hábito da leitura. O oferecimento desse tipo de leitura deve ser descompromissado e de livre escolha para proporcionar ao público o relaxamento. (ANDRADE e MAGALHÃES, 1979 apud ARRUDA). Progressivamente, esse público que buscava uma leitura descompromissada passa a buscar informações que despertam o interesse pelos demais gêneros literários existentes no acervo da biblioteca. É uma das formas mais eficazes de formar leitores mais críticos e exigentes.

2.4 QUARTA FUNÇÃO BÁSICA - INFORMACIONAL

A minha vivência e experiência em biblioteca, esta de caráter universitário mas ao mesmo tempo especializado, um vez que destinava-se também a estudantes de pós graduação, forneceu-me subsídios para traçar um paralelo entre a biblioteca pública e especializada. A grande maioria das bibliotecas especializadas atende um público interno, restringindo o horário para atendimento da comunidade externa. Podemos citar aqui alguns fatores fundamentais para tal determinação: o número reduzido de funcionários formado muitas vezes por auxiliares despreparados para atender a demanda que o público desta biblioteca exige. Isto acontece não por falta de interesse dos funcionários não graduados, mas por uma exigência imposta pela hierarquia que funciona num sentido verticalizado, ou seja, as informações partem de baixo para cima, quando na verdade deveria partir de forma lateralizada, um funcionário ao lado do outro formando uma verdadeira equipe, num sentido horizontal.
O que existe nessas bibliotecas pode ser chamada de guerra de poderes, quando o auxiliar é tratado pelos bibliotecários da mesma forma que o público marginalizado é tratado por esses mesmos funcionários.


3 CONCLUSÃO

Podemos concluir que ainda falta muito para que as bibliotecas públicas brasileiras alcancem um valor de excelência. Os acervos nem sempre oferecem materiais atualizados, quanto aos funcionários, na sua maioria formada por funcionários públicos que procuram estabilidade dando muito pouco de seu saber para a população que busca o serviço desse departamento. Com relação à tecnologia, podemos dizer que além de obsoleta é também pobre em seus recursos, com poucos equipamentos funcionando precariamente.


BIBLIOGRAFIA
ARRUDA, Guilhermina Melo. As práticas da biblioteca pública a partir de suas quatro funções. [s.l.] : [s.n.], [19--]

NOTAS
[1] ARRUDA, Guilhermina Melo. As práticas da biblioteca pública a partir das suas quatro funções básicas. [s.l.: s.n.], [19--].
[2] ARRUDA, Guilhermina Melo. As práticas da biblioteca pública a partir das suas quatro funções básicas. [s.l.: s.n.], [19--].

[3] ARRUDA, Guilhermina Melo. As práticas da biblioteca pública a partir das suas quatro funções básicas. [s.l.: s.n.], [19--].